1 de ago de 2009

DA ARTE


Já escrevi aqui sobre minhas dúvidas concernentes ao cerceamento que um regime socialista pode exercer sobre o artista e a liberdade de expressão. Claro, não há resposta peremptória. Eis aqui mais reflexões. Fui à uma exposição hoje que muito me interessava, sobre a arte de vanguarda produzida no início do século XX na Rússia. As peças abrangiam o contexto pré e pós-revolucionário. No início do governo de Lênin, se eu entendi corretamente, criou-se um instituto: Arte Aplicada, ou seja, quiseram dar uma "utilidade" à arte. Dessa forma, a arte foi aplicada ao design e os artistas então deixaram de atuar em ateliês para fazê-lo em escritórios, usando sua criatividade em prol da utilidade de algum objeto, tornando mais eficiente. Há aí uma incoerência pra mim, a arte é, por essência, inútil. Calma, não estou falando mal dela. Ser inútil não é algo necessariamente ruim. Enfim, não vou explorar aqui "minhas" teorias acerca disso, mas a minha questão é: será que o socialismo, tendo como premissa que a inutilidade da arte, a considera como algo supérfluo e por isso desejava que ela fosse aplicada e não meramente objeto de apreciação estética? Para o socialismo russo, então, a arte válida era somente a representativa da vida operária, das relações sociais, e a que fazia apologia ao regime?